
ETFs de bitcoin: o que são e como impactam o ecossistema bitcoiner?
Após 10 anos solicitando a autorização de um ETF de bitcoin à vista, Wall Street finalmente entra nesse mercado.
Genny Díaz ·
Longamente esperada pelos investidores de Wall Street, a aprovação dos ETFs de bitcoin à vista nos Estados Unidos finalmente aconteceu no início deste ano.
Esse fato se tornou uma das notícias mais relevantes do mundo das criptomoedas nos últimos tempos. No entanto, o seu impacto no ecossistema do Bitcoin continua dividindo opiniões.
Para alguns, eles representam a chegada de uma massa de novos usuários, a consolidação da adoção e o aumento do seu preço. Outros acreditam que os velhos costumes dos mercados de valores vão permear o uso do bitcoin (BTC), afastando-o das suas premissas originais.
Neste artigo, vamos explicar o que é um ETF e repassar alguns dos argumentos desse debate.
O que são os ETFs de bitcoin à vista?
ETF é a sigla de Exchange Traded Funds (fundo negociado em bolsa). É um tipo de produto financeiro que replica os movimentos de preço de um ativo ou conjunto de ativos negociado na bolsa de valores. Esses ativos podem ser ações, títulos e commodities (como o ouro), ou uma combinação deles, como no índice S&P 500, por exemplo.
Esse tipo de instrumento de bolsa permite que os investidores participem facilmente de diferentes mercados de forma indireta. Ou seja, o usuário adquire uma espécie de ação ou cota, em vez do ativo real.
No caso do bitcoin, isso significa que o investidor não terá necessidade de comprar, vender e custodiar os BTC, já que a empresa emissora do ETF cuida inteiramente da gestão.
Como funcionam os ETFs de bitcoin?
O funcionamento é simples de entender. Um gestor de fundos, como a Blackrock ou outro autorizado pelos reguladores, compra bitcoin e o mantém em um cofre seguro. Depois, emite as cotas que serão negociadas na bolsa.
Quando um investidor compra uma cota de um ETF de bitcoin, na verdade está comprando uma parte do bitcoin que o fundo possui. Isso permite que ele receba uma proporção dos rendimentos desse fundo, calculados em função da rentabilidade do bitcoin.
Quais vantagens e desvantagens os ETFs de bitcoin oferecem?
Algumas das vantagens mais mencionadas são:
Acessibilidade: o processo de investimento é tão fácil quanto a compra de qualquer ação.
Segurança: é delegada ao fundo emissor, então o investidor fica livre dessa responsabilidade.
Conformidade regulatória: os emissores desses produtos devem cumprir as exigências da lei, incluindo as relacionadas à proteção do usuário.
Diversificação: o investidor pode incluir bitcoin em um portfólio de investimentos para reduzir o seu risco.
Entre as desvantagens estão o pagamento de taxas de gestão, os riscos de mercado inerentes à volatilidade do bitcoin e as restrições sobre quem pode acessar esses produtos.
Opiniões favoráveis
Algumas opiniões apontam que a existência de um produto como os ETFs à vista é uma evidência do crescimento e da maturidade do mercado. Segundo essa tese, a aceitação por parte dos reguladores, como a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC), dá maior legitimidade ao Bitcoin como ativo de investimento.
Também se diz que, graças à facilidade de uso para os investidores, a demanda pela criptomoeda poderia aumentar significativamente. Isso se explica porque os ETFs eliminam a barreira de aprendizado que gerir BTC por conta própria exige atualmente.
Além disso, acredita-se que a entrada de capital institucional no mercado de bitcoin gerará mais confiança, aumentará a sua valorização em USD e reduzirá a volatilidade.
O que dizem os críticos
Os detratores dos ETFs acreditam que a entrada de Wall Street no bitcoin não será tão benéfica quanto alguns pensam. Segundo essas opiniões, o impacto no preço seria limitado e temporário, porque o bitcoin já é um ativo muito líquido. Além disso, o seu mercado é influenciado por diversos fatores, como a oferta, a mineração, a concorrência, a inovação etc.
Por outro lado, sustentam que esses fundos poderiam trazer mais volatilidade e incerteza ao mercado de bitcoin, devido à facilidade de entrada e saída que os investidores terão. Da mesma forma, a incerteza regulatória e os riscos de manipulação de mercado persistem.
Principalmente, os críticos apontam que os ETFs são contrários à filosofia do Bitcoin, sustentada na descentralização e na resistência à censura.
Riscos inesperados
Outra análise que entrou no debate é que os ETFs escondem alguns riscos não calculados para o ecossistema. Entre eles, a concentração da custódia, a financeirização do mercado e possíveis tentativas de controlar a rede.
Quem se preocupa com esses perigos potenciais afirma que a acumulação de BTC em um único custodiante representa um ponto único de falha. A maioria dos emissores escolheu a exchange americana Coinbase para guardar o seu bitcoin, de modo que 75% dos fundos estariam nas carteiras dela.

Fonte: Criptonoticias
A financeirização do mercado de bitcoin se refere à introdução de práticas imprudentes ou “tóxicas” presentes em Wall Street, como a alavancagem excessiva e a comercialização de ativos inexistentes, que infla artificialmente a oferta. Isso é perfeitamente possível, porque na verdade o que se negocia é “BTC de papel”.
Também se mencionou que as instituições emissoras de ETFs poderiam tentar acumular uma grande quantidade de bitcoin para ganhar certa autoridade na comunidade e tentar influenciar a forma como o protocolo é mantido. Embora, dadas as características da rede e o seu funcionamento atual, por enquanto essa ideia pareça pouco provável.
Então, os ETFs são positivos ou negativos para o bitcoin?
Pode ser que a resposta a essa pergunta não seja binária. Por 10 anos, os gestores de fundos de investimento estiveram solicitando autorização à SEC para emitir um produto com essas características. Isso, no mínimo, denota um grande apetite por bitcoin como veículo de investimento.
Recentemente, o economista Juan Ramon Rallo apontou que os ETFs respondem a uma demanda subjacente muito forte. “É a confirmação de que o bitcoin se tornou uma categoria de ativo” no portfólio dos investidores, disse Rallo.
Pode-se dizer que a chegada de atores do mundo da bolsa e a aceitação por parte dos reguladores representam o desaparecimento definitivo de antigas narrativas anti-bitcoin. Por outro lado, há quem confie que o propósito atual do Bitcoin prevalecerá.
Jeffrey Ross, fundador da Vailshire Capital, prevê que os ETFs de bitcoin serão apenas uma solução temporária, uma transição rumo à substituição dos instrumentos financeiros tradicionais pelo Bitcoin. “Quanto mais tempo as pessoas possuírem bitcoin, mais incentivadas estarão a aprender o que ele realmente é. A geração mais jovem herdará a riqueza dos pais, venderá esses ETFs e comprará bitcoin”, declarou Ross a um portal de notícias.